Domingo, Fevereiro 11, 2007
posted by Keka at 10:35 PM | Permalink
Kevin Smith - O rei dos nerds
Se você é como eu, difícil que não conheça ou não goste dele. E que, caso não conheça ainda, que não vire fã quando conhecer. Tá, mas quem é ele? Se vc respondeu diretor de cinema, roteirista, produtor, ator, editor e escritor de histórias em quadrinhos, acertou!
Ele fez seu primeiro filme, Clerks, (o balconista) em 1994, com apenas 27 mil dólares, que sairam de seu cartão de crédito, ajuda da família, e da venda de toda sua coleção de quadrinhos. O filme foi todo rodado em preto e branco, e dentro da loja de conveniência onde Kevin trabalhava como balconista, em New Jersey. O filme chamou atenção no Sundance (um festival de cinema independente), e logo atraiu os fãs de quadrinhos e Star Wars - referência constante. O filme mostra com humor ácido, como um balconista vê os clientes. No filme tb, é a primeira aparição dos personagens Jay e Silent Bob, dupla que acabou participando de todos outros filmes (exceto Jersey Girl). Silent Bob, pra quem não sabe, é o próprio diretor.
Com o sucesso do filme e os prêmios que ganhou, Kevin comprou de volta sua coleção de quadrinhos e pôde fazer seu segundo filme, Mallrats (que aqui tem o título ridícilo de barrados no shopping). O filme mostra como a relação do diretor com o universo dos quadrinhos é estreita. Além dos diálogos recheados de referências ao assunto, aparece a loja de hq's do diretor (jay and silent bob's secret stash) e tb tem participação especial do grande Stan Lee, em uma das cenas mais legais. Fora isso, Star Wars e os Jedis são lembrados mais de uma vez. O filme é muito muito escrachado e se passa quase todo no interior de um shopping. E ai veio Chasing Amy (procura-se amy) e com ele, Kevin saiu um pouco do cirtuito alternativo, pois o filme aborda questões mais sérias, como relacionamento e homossexualismo, embora o ambiente dos quadrinhos esteja presente 100%. Dois anos depois veio Dogma. O filme teve uma grande cobertura da mídia por conta de manifestações contra e tentativas de boicote, pelo tema polêmico: religião e os dogmas católicos. Vistos, claro, de forma muito irreverente e peculiar. E muito bem humorada, onde o papel de Deus é feito por ninguém mais ninguém menos que Alanis Morrissette - deveras inusitado. Em 2001, Jay and Silent Bob strikes back (o império do besteirol contra ataca). Esse filme fecha a série de acontecimentos relacionados desde O balconista, no que ficou conhecido como View Askewniverse (universo View Askew), fazendo referência ao nome da produtora de Smith. E todos os personagens reaparecem. E onde Jay e Silent Bob fariam sua última aparição. Cena antológica: a luta de sabre de luz entre Silent Bob e Mark Hammil - o ator que fez Luke Skywalker na trilogia original Star Wars. Depois veio Jersey Girl (menina dos olhos), um filme completamente diferente dos outros, mas que vc vê que é mais pessoal - mais pessoal ainda do que os gostos do cara, que estão presentes em todos seus filmes. Esse, trata da relação pai e filha e no final, é dedicado ao pai do diretor, que tinha falecido há pouco tempo. Seu filme mais recente, é Clerks II ( o balconista 2), que passou em Cannes ano passado, e foi ovacionado ao final por 10 minutos, deixando o diretor muito surpreso. A antiga loja de conveniência pegou fogo, e agora, o balconista sem ambição, trabalha em uma lanchonete. É lá que dão continuidade aos debates acalorados em que tentam, entre outras coisas, decidir quem é melhor: George Lucas, Peter Jackson ou Jesus. É a celebração verborrágica da cultura nerd e pop. Eu ADOREI. Me diverti horrores! Entre os tipos recorrentes, estão os famosos Jay, interpretado por Jason Mewes, e Silent Bob, personificado pelo próprio diretor. O filme foi realizado como parte de uma promessa feita por Smith a Mewes: caso este se livrasse do vício das drogas, ele voltaria a interpretar Jay uma última vez. Sim, o cara é muito legal. Entre esses filmes, Kevin fez e ainda faz muitas coisas. Produziu Good Will Hunting (gênio indomável) com o amigo Matt Damon, fez o documentário Stan Lees mutants, monsters and marvels, continuou escrevendo a hq's que criou, com os personagens Jay and Silent Bob e aceitou o convite da Marvel pra trabalhar em sua linha Marvel Knights, e assumiu o Demolidor. Depois, foi parar na DC, com a tarefa de ressuscitar o Arqueiro Verde, e escreveu a excelente série O espírito da flecha. Depois, escreveu a mini-série Spider-Man / Black Cat: the evil that men do, seu primeiro trabalho com o homem aranha. Enfim, são apenas algumas coisas desse cara que faz de tudo um pouco, e que eu acho extremamente foda. E que não por acaso ganhou da mídia essa 'alcunha' de Rei dos Nerds. E não por acaso tb que no meu mundo perfeito, ele seria meu amigo. E um cara que dá a própria filha o nome de Harley Quinn (a ajudante do coringa!), merece minha eterna admiração!
 
Sábado, Dezembro 09, 2006
posted by Randy Lovegod at 12:27 AM | Permalink
Almanaques

Almanaque, do grego almenikhiaká, é basicamente qualquer publicação - normalmente anual - que reúne informação específica de um determinado campo do saber. Os mais atuais eram, geralmente, alfarrábios que reuniam informações de cunho agrícola (como épocas de plantio e colheita), informações a respeito do tempo, crendices e simpatias, festas religiosas, enfim, todas as informações necessárias para se viver em uma aldeia longe dos centros urbanos. Ou então, como os livretos surgidos a partir do século XV, predileções astronômicas focadas tanto nas navegações quanto na astrologia (lembrando que estas duas ciências só foram devidamente separadas em tempos muito atuais). No link do título existe informação suficiente para qualquer dúvida.

Não podemos esquecer, é claro, alguns célebres almanaques da ficção, a começar pelo célebre Almanhaque d'A Manha, do excelentíssimo Barão de Itararé. Ou então, do não menos útil Almenak de Klepp, escrito por Samuel Hastrim Klepp.

Voltando ao assunto do post. Que eu saiba, o costume de fabricar almanaques já se perdeu, e apenas um americano continua com isto: Ben Schott. Os almanaques de Schott não foram lançados em português (possivelmente por não serem muito conhecidos, logo não a pressa em traduzi-los. E quem compraria um almanaque "vencido"?), mas dois outros livros dele, que seguem a linha "um monte de informação reunidas em poucas páginas" foram, e são deliciosos.

O primeiro, Miscelânea Original de Schott, reune tudo aquilo que sempre se quis saber: as chukkas do pólo, as vozes de Mel Blanc, Áreas de preisão para navegação, os pontos de travessia do Tâmisa, as 6 liurgias orientais, todos os professores lucasianos de Cambridge, e muito, muito mais. Nas palavras de Oscar Wilde, obviamente, não sobre Schott, "É absolutamente lamentável que em nossos dias haja tão pouca informação inútil.".

Já a segunda Miscelânea, a da Boa Mesa, acaba de ser lançada em português e segue a linha de sua irmã mais velha. Esta lhe dirá: como cozinhar um cisne (o que é proibido); a melhor maneira de fazer anéis de fumaça; que gosto tem uma barata d'água gigante; o que Harold Wilson achava dos alimentos enlatados; o porquê de Zeus dormir num leito de açafrão; o verdadeiro Capitão Birdseye; as últimas refeições no corredor da morte.

Livros essenciais para qualquer biblioteca que queria ser especial.
 
Sábado, Novembro 11, 2006
posted by Randy Lovegod at 9:46 PM | Permalink
Cruzando Fronteiras

Muito bem, vamos estreiar mais um autor deste espaço feito a seis mãos bobas.
Nada foi combinado, mas vou falar sobre outro livro. Ou vários. Bom, sem enrolação, vou trocar umas palavrinhas sobre um autor que conhecia ao vivo uns anos atrás, quando este foi divulgar seu mais novo trabalho na época, Expresso para a India.

O Ortiz
(nome que algumas vezes já confundi com outro colega blogueiro), aventureiro, escritor, jornalista de esportes radicais, sem dúvida alguma é uma pessoa fascinante tanto escrevendo quanto ao vivo, com essa cara de turista que tem. Apesar de ser muito mais do que um bando de chineses armados com Kodaks.

A proposta que ele usa em suas viagens é a de fugir duma viagem tradicional. Na Índia, por exemplo -com exceção de uma única viagem, após uma indigestão- só viajou como as classes mais pobres viajavam, seja de trem, camelo ou nos riquixás.
Alem disso, refez todo o trajeto da colonização européia no país, algumas conquistas de Gandhi, os problemas inter-religiões que ainda assolam o país (os confrontos a respeito da Caxemira, por exemplo). Aliás, a viagem ocorreu durante uma onde de ameaças islâmicas, que por muito pouco não encerraram o projeto antes do fim.

Seja quais forem os interesses de você, leitore, tenho certeza absoluta que ao menos um livro do Airton vai te agradar: Eles conseguem ser cativantes para amantes do turismo, da história, das relações humanas, curiosidades geográficas, gourmands...

Conclusão: Enquanto o bolso e o tempo não colaboram para que aquela viagem a Amazônia ou ao Egito se concretize, leia Airton Ortiz. É um guia diferente dos tradicionais e não é um guia, já que narrar com detalhes uma indigestão causada pelo calor excessivo, pimentas apimentadas e as péssimas condições de higiene de um país não é realmente o alvo que um guia de viagens teria em mente.
Boa Leitura.
 
Quinta-feira, Novembro 09, 2006
posted by Rꬬ at 3:39 PM | Permalink
Mulheres francesas não engordam. Será?
Vamos falar do elogiado "Mulheres francesas não engordam" de Mireille Guiliano.

Bem, se você estava esperando por alguma novidade avassaladora, alguma receita mágica ou algo do gênero, desista.

Apesar do título instigante, da capa maravilhosa (sim, uma bela capa é essencial!) e do primeiro capítulo ser promissor, o livro acaba caindo no lugar-comum das receitas de bem-estar tão nossas conhecidas.

As novidades que ficariam por conta das experiências pessoais da autora resumem-se a poucas páginas.

Outro ponto fraco é que muitas das receitas são cheias de ingredientes e temperos franceses, pouco ou nada conhecidos nos trópicos, o que dificulta a apreciação dos pratos sugeridos pela autora. E falta uma trama, um roteiro que mantenha o leitor preso ao livro.

A parte interessante do livro vem com a (inevitável) descrição dos costumes franceses, do jeito de valorizar os pequenos prazeres artesanais e da maneira certa para encontrar um equilíbrio entre o comer e o agir.

O grande segredo de "Mulheres francesas não engordam" é: tenha bom-senso. Coma pequenas quantidades de alimentos variados, evite o tédio culinário e movimente-se, caminhe. Não faça dietas restritivas nem academia se não quiser (em vez de auto-punição, pratique auto-indulgências), mas compense comendo algo mais leve sempre que quiser comer também um doce, procure alimentos de boa qualidade, evite fast food, aprecie os pequenos detalhes, faça da sua alimentação um ritual.

São dicas conhecidas, mas que sempre devem ser relembradas. Trata-se mais de um livro de receitas, mas que encoraja o leitor a evitar o tédio e a descobrir os prazeres de refeições criativas, variadas e em pequenas quantidades.

Conclusão: Vale a pena ler, mas não crie muitas expectativas.


Mireille Guiliano é uma executiva, presidente da Veuve Clicquot norte-americana (empresa fabricante de vinhos). Depois de "Mulheres francesas não engordam", ela também lançou o "Segredos das Mulheres francesas". Site da autora: www.mireilleguiliano.com
 
Terça-feira, Outubro 31, 2006
posted by Keka at 6:20 PM | Permalink
Neil Gaiman


Depois de ler uma história escrita por ele, é impossivel não ficar com um sorriso satisfeito nos lábios e com um olhar perdido e sonhador.

Ele é DEMAIS! (inclusive pelo incrivel charme britânico)

Gaiman é jornalista e começou sua carreira como crítico musical. Apesar de estar quase sempre de preto, não é gótico. Diz ele que é só falta de imaginação pra se vestir, então acaba comprando muitas roupas pretas, iguais até, pra facilitar a vida. Adora Tolkien, G.K. Chesterton, Bernard Shaw, Oscar Wilde, Shakespeare...é legal saber do que ele gosta porque às vezes ele solta referências em suas obras, e se vc souber do que ele tá falando, melhor. Por exemplo: no Sandman - Casa de Bonecas, tem um personagem chamado Gilbert - que é eh homenagem ao escritor G.K. Chesterton. É bom ler a obra de Gaiman na ordem, pelo menos da primeira vez. Suas histórias, além de charme, tem muito terror. Terror que a gente sente quando é criança, terror dos contos de fada, em que vc pensa que tá seguro e não tá. E os personagens são o máximo! Ele criou tb algumas das personagens femininas mais interessantes das HQ's. Mas seu personagem mais conhecido é mesmo Sandman - e seus irmãos, os perpétuos : Destino, Morte, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio.

Sandman - Antes e Depois:

Violent Cases - primeiro trabalho da dupla Gaiman / Dave McKean - o cara que fez as belíssimas capas de Sandman. Casamento perfeito de arte e texto. 1987.
Orquídea Negra - primeira graphic novel da dupla pela DC Comicas. 1989.
Signal to Noise - 1992
Livros de Magia - como gostar de Harry Potter conhecendo Tim Hunter ? 1991
Morte - O preço da vida - capa de McKean. Série com a irmã mais velha de Sandman, a Morte. 1993.
Mr Punch - Lindo. de novo a dupla. É continuação de Violent Cases. A visão do terror e do fantástico pelos olhos de um menino.
Morte - O grande momento da vida - outra minissérie com a irmã de Sandman. 1994
Sandman - O teatro da Meia Noite - com o Sandman original, que usa máscara. 1995
Sandman - Capas na Areia - tesouro para fãs : tem todas as capas de Sandman, feitas pelo fodão Dave McKean. Além da arte, tem comentário de Gaiman sobre as capas, sobre a amizade dos dois, sobre a DC e etcs. Lançado no Brasil em 2003.
Sandman - Noite sem Fim - DIVINO! m dos livros mais bonitos que já vi na vida. Li alisando delicadamente cada página, me deliciando com cada imagem. Tem uma bhistória para cada perpétuo e um desenhista para cada história. É maravilhoso, começando pela capa.
Criaturas da Noite - são histórias tiradas do seuu livro de contos Fumaças e espelhos, Contos e ilusões. Muito bom!

Livros:

Fumaças e espelhos, Contos e ilusões - coleção de contos curtos. 1998.
Stardust - desenhado por Charles Vess (que junto com alan leen e brian froud é o cara que mais sabe desenhar fadas ever).
Os Caçadores de Sonhos - a arte é de Yoshitaka Amano, que fez desenhos para a série de videogame Final Fantasy. 1999.
Belas Maldições - escrito em parceria com terry pratchett.
Deuses Americanos - fala sobre o que aconteceria com os deuses e entidades depois de perderem seus seguidores.
Coraline - uma espécie de alice no país das maravilhas gótica. Um tipo de conto de fadas de dar muito medo.
Anansi Boys - uma espécie de continuação de Deuses Americanos, mas ainda não saiu por aqui.

Detalhes:

- ele escreveu um episódio de Babylon 5 - sim, aquela série de ficção.
- algumas coisas de Gaiman vão virar filme: Beowulf, Coraline, Stardust e Livros de Magia - suma, harry potter!
- site muito bom sobre a arte de Dave McKean
- e uma galeria do Charles Vess
- site oficial do Neil Gaiman


Tente. Impossível não se apaixonar por ele.
 
Domingo, Outubro 29, 2006
posted by Randy Lovegod at 12:49 AM | Permalink
Desvirginando
Prazer.
Seja bem vindo. Sente-se, desabotoe a calça, relaxe.
Cofortável? Esperamos que sim.
Tire os sapatos. Isso...
Podemos começar?
O que lhe podemos dizer? Criamos este Blog para deleite de ambos.
Primeiro, o nosso, para extravazar idéias, molhar os lábios, sodomizar culturas, cultuar a popularidade, popularizar os prazeres. enfim, será algo que uma espécie de gozo (opa) para nós, recebê-lo aqui.
Segundo, do seu lado, esperamos que se sensibilize, se emocione, se excite (por que não?!) com nossos textículos (pequetitos textos). Queremos que os receba de braços abertos.
E pernas.
E mente...Pois somos profissionais em trabalhos manuais.
No ramo da escrita, explico.
E queremos juntos chegar ao ponto G. da questão, que lhe seja tão satisfatória a leitura quanto para nós será a escrita.
Queremos acariciar...
suas idéias.
E massagear...
seu conhecimento.
E lamber...
a ponta dos dedos, satisfeitos com o que escrevemos.
E chupar...
toda cultura que puder nos oferecer.

Somos três, ao mesmo tempo, um.
Ligados por um prazer comum.
Que me desculpem pela rima, sem propósito.

Renatinha Penny Passion
Faerum Randy Lovegod
Keka Vendy Venus

Este Blog tratará com mais e muito mais, sobre a Cultura Pop e todos seus casos e flertes. Este atraente tema, sempre atual, sempre excitante, sempre QUENTE.

Então, mais uma vez, seja bem vindo. Relaxe, deleite-se, desfrute o momento. Sinta o nosso prazer. Nos deixe entrar entre suas entranhas. Deixe-nos completá-lo. Alcance o grande orgasmo da Cultura.

O prazer, é todo nosso.

Texto de apresentação escrito por nosso membro honorário Gafa Nikky "Longbone" Naughty